O mês de dezembro é um mês especial, em muitos sentidos. Para os cristãos, o nascimento de Jesus se aproxima, trazendo o sol fulgente do perdão e da paz. Para os workaholics e os estudantes, as férias se aproximam, trazendo o descanso tão necessário. Para todos nós, é uma oportunidade de renovar nossa alegria e confraternizar com familiares e amigos.

 

Para nós, o espírito de Natal tem a ver com o seguinte paradoxo: ganhamos a vida na medida em que a perdemos. O que isso significa? Significa que a vida ganha sentido quando saímos de nós mesmos, quando nos doamos ao outro. É por isso que este período costuma ser alegre e abundante.  

Alguns se entregam em abraços, em atenção ou através da culinária. Tudo isto é válido e nos re-conecta ao poder do amor concreto, do amor encarnado.  

 

Podemos acessar este espírito natalino ao observarmos o símbolo da vela: quanto mais ela queima a si mesma, quanto mais se gasta, mais cumpre sua função, mais ilumina...  

 

 A festa de Natal, com seus sorrisos, presentes e refeições, é uma maneira de celebrar a vida, nos relembrando da importância de unir-nos uns aos outros. De sermos gratos à vida e com- memorar, lembrar juntos, dos valores pelos quais continua valendo a pena viver: o amor, a alegria e a paz.

 

 

Óleos Essenciais e o Natal

 

Para comemorar essa data especial queremos convidá-lo a conhecer alguns símbolos natalinos de uma maneira um pouco diferente... Através do olfato!

 

O sentido do olfato ainda é desprezado, apesar de seu reconhecido poder de proporcionar prazer, equilíbrio e harmonia. Habituados à predominância das percepções audiovisuais, focar-se nos sentidos do olfato, do tato ou do sabor acaba transformando-se em uma experiência de saída do cotidiano; algo parecido a uma viagem de férias, mas no plano sensitivo. Nessa exploração aromática, selecionamos três óleos essenciais que se relacionam de maneira especial ao Natal: o Olíbano, a Mirra e o Pinheiro silvestre.

 

 Mirra (Commiphora myrrha)

 

“(...) e abrindo os seus tesouros, lhe ofertaram dádivas: ouro, incenso e mirra”.  (Mateus, 2,1-12).

 

A troca de presentes é parte do Natal e remonta à tradição bíblica segundo a qual os três reis magos visitaram o menino Jesus e presentearam-lhe com Mirra, Olíbano (que é o incenso do qual fala as escrituras) e Ouro. O ato de dar presentes, nesse contexto, expressa o reconhecimento. Até hoje repetimos esse costume, no intuito de reconhecer o carinho e a afeição que sentimos por nosso próximo.

 

Os sábios reis magos reconheceram não só o valor daquele a quem presentearam, mas também o valor dessas duas plantas, considerando-as tesouros. Desde a época bíblica, a Mirra e o Olíbano são usados (na forma de resina) em rituais religiosos, por sua capacidade de afastar os espíritos da doença e purificar ambientes. Além disso, os aromas dessas plantas propiciam serenidade, sendo facilitadores da meditação.

 

No mundo antigo, a Mirra era uma resina muito importante, sendo usada como tempero, remédio natural e também para purificar os mortos. O precioso e lendário óleo de Mirra (Commiphora myrrha) deriva de resinas repletas de sol e é usado desde a antiguidade em ritos sagrados e por seus efeitos rejuvenescedores no corpo e na mente. Nativo de áreas da África oriental, o Óleo Essencial é obtido por destilação a vapor da resina de um arbusto espinhoso. Ele tem um aroma picante, quente, de terra e levemente adocicado. É uma joia na aromaterapia moderna, com múltiplos benefícios, que se estendem desde a cicatrização de feridas a cuidados com a pele e tonificação dos sistemas circulatório e imunológico; a Mirra também é um grande aliado para a saúde feminina.

 

 

A palavra Mirra corresponde a uma raiz semítica comum m-r-r que significa "amargo", como em aramaico ܡܪܝܪܐ murr e árabe مُرّ murr. Este nome faz referência ao sabor amargo desta resina.

 

Commiphora é o gênero botânico dos diferentes tipos de Mirras e pertence à família das Burseraceae (da qual o Olíbano também faz parte). O gênero contém aproximadamente 190 espécies de arbustos e árvores, que se distribuem nas regiões (sub) tropicais da África, nas ilhas ocidentais do Oceano Índico, na Península Arábica, na Índia e no Vietnã. O gênero é tolerante à seca e comum em todo o matagal xerofítico, florestas tropicais sazonalmente secas e bosques dessas regiões.

 

Quando um ferimento penetra a casca da árvore de Mirra, ela secreta uma resina, também chamada de goma de Mirra. Esta seiva é colhida através de repetidas feridas em sua casca, provocadas para que sangre a goma, que é cerosa e coagula rapidamente. Após a colheita, a goma fica dura e brilhante. Sua cor é amarelada e pode ser transparente ou opaca. Esta resina escurece profundamente à medida que envelhece, e listras brancas aparecem.

 

O nome comum Mirra refere-se a várias espécies do gênero, das quais as resinas aromáticas são utilizadas para vários usos medicinais. No caso da Aromaterapia, a espécie mais utilizada para produção de Óleo Essencial é a Commiphora myrrha. Ela é nativa da Somália, Omã, Iêmen, Eritreia, Etiópia e partes da Arábia Saudita.

 

Os principais compostos que encontramos no óleo de Mirra pertencem à família dos sesquiterpenos e possuem efeitos anti-inflamatórios e antioxidantes. Os sesquiterpenos também afetam nosso centro emocional no hipotálamo, ajudando-nos a permanecer calmos e equilibrados.

 

 Um estudo de 2010 publicado no Journal of Food and Chemical Toxicology (DOI: 10.1016/j.fct.2009.10.006) descobriu que a mirra pode proteger contra danos ao fígado em coelhos,  devido à sua alta capacidade antioxidante. Segundo o estudo, isto indica haver potencial para uso em humanos também.

 

 

Ao suavizar manchas, o óleo de Mirra pode ajudar a manter a pele saudável, por isso é comum ser adicionado a produtos para a pele, ajudando na hidratação e também perfumando a formulação. Os antigos egípcios usavam unguentos a base de Mirra para prevenir o envelhecimento e manter a pele saudável.

Um estudo de 2010 (DOI: 10.3109/15476910903409835) descobriu que a aplicação tópica de óleo de Mirra ajudou a elevar os glóbulos brancos ao redor das feridas da pele, levando a uma cicatrização mais rápida. Isto comprova sua capacidade de regeneração da pele.

 

 

 Olíbano (Boswellia carterii)

 

O Olíbano pertence à família das Burseraceae. As plantas aromáticas dessa família (o Elemi, a Mirra, o Olíbano, por exemplo) crescem em regiões tropicais desérticas, onde recebem intensa energia solar. Para fins de proteção de sua superfície, essas plantas cobrem-se permanentemente de uma camada bem fina de resina aromática, de modo a “filtrar” os intensos raios solares. Daí, nos explica Marcel Lavabre, a assinatura vegetal que explica os efeitos anti-inflamatórios dos Óleos Essenciais provenientes das Burseraceae. Sendo assim, agem terapeuticamente nas inflamações internas do organismo (bronquite e tosse). O gênero Boswellia (Olíbano) é o representante mais característico dessa família. As plantas desse gênero crescem na península arábica, no clima mais quente do planeta. O Óleo de Olíbano é proveniente da resina das árvores Boswellia carteriiBoswellia sacra ou Boswellia serrata, comumente encontradas na Somália e regiões do Paquistão. A Boswellia serrata é uma árvore nativa da Índia, ela produz compostos especiais que estão sendo muito pesquisados por seus fortes efeitos anti-inflamatórios e potencialmente anti-câncer. Entre os valiosos extratos de Boswellia que os pesquisadores identificaram, vários se destacam como os mais benéficos, incluindo os terpenos e os ácidos boswéllicos, que são fortemente anti-inflamatórios e protetores das células saudáveis. Em meio ao clima árido do deserto, a Natureza nos presenteia com essas joias reais, preciosas à nossa saúde!

O Óleo Essencial de Olíbano (Boswellia carterii), bem como outros extratos dessa planta, vem sendo estudados por diferentes órgãos científicos. Em 2017, a Biochimie Open (doi.org/10.1016/j.biopen.2017.01.003) publicou um estudo no qual o Óleo Essencial de Olíbano mostrou “uma atividade anti-inflamatória robusta” em fibroblastos dérmicos humanos inflamados, confirmando o potencial promissor desse Óleo na modulação de processos inflamatórios dérmicos.

 

Outro estudo, publicado em 2016 pelo Journal of Ethnopharmacoly (/doi.org/10.1016/j.jep.2015.12.039), concluiu que “a aplicação tópica do Óleo Essencial de Olíbano ou de seus princípios ativos (incluindo o alfa-pineno, o linalol e o 1-octanol) exibem efeitos anti-inflamatórios e analgésicos significativos”.

Em 2018 (DOI: 10.1016/j.jep.2018.03.003 ), essa mesma revista confirmou “as propriedades anti-microbianas” do Óleo Essencial de Olíbano, bem como de sua vaporização e incenso, sugerindo que eles poderiam ser usados como ”purificadores de ar em ambientes sagrados”. Através desses estudos científicos podemos observar que a Natureza é a farmácia das farmácias, trazendo-nos todos os recursos necessários para conquistarmos a Saúde!

 O óleo de Olíbano é muito usado uso em práticas de meditação e para quem busca mais concentração mental. Seu aroma eleva e concentra. Não é por acaso que a resina do Olíbano vem sendo usada, milenarmente, em fumigações de rituais religiosos. A energia desta planta está intimamente conectada à espiritualidade. Por isso ele é o óleo, quando pensamos em Aromaterapia e Meditação. Como diz o Dr. Malte Hozzel: “Este óleo tem a capacidade de criar uma atmosfera vertical, como a fumaça que sobe até o céu, elevando a consciência humana, libertando a tensão excessiva, nos permitindo concentrar-se na unidade do nosso eu interior.” Sendo uma resina, a assinatura vegetal do Olíbano nos indica uma propriedade de cicatrização de feridas, tanto físicas quanto emocionais. Por isso é um Óleo Essencial indicado para o tratamento de depressão e para a elevação do humor em geral. É por esses e muitos outros benefícios que podemos considerar o óleo desta resina sagrada como uma “pérola líquida”.

 

Pinheiro Silvestre (Pinus sylvestris)

O óleo de Pinheiro nos faz ir, e ir, e ir... sem cansar! Sua maravilhosa estrutura molecular, composta principalmente de monoterpenos, nos traz a resistência e a coragem necessárias para realizar e completar os projetos mais intimidantes. O “banho de floresta”, como os japoneses chamam a técnica terapêutica de andar pela floresta, entre as árvores coníferas, revitaliza o sistema imunológico quando a pessoa inala profundamente suas energias de cura.

Além disso, este óleo tem a capacidade de nos auxiliar a ficar centrados e focados, para que possamos trabalhar em nossos projetos com otimismo e força, mantendo os pés no chão.

  Todos esses maravilhosos “aliados de inverno” da família das coníferas são maravilhas que nos protegem contra todos os tipos de doenças sazonais, como resfriados, gripes e etc. Realmente, possuem poderosas propriedades antibacterianas, antivirais (e também antissépticas), proporcionando o impulso de energia necessário para fortalecer o sistema imunológico.

 

As luzes de natal das árvores coníferas são um lindo símbolo para essa maravilhosa família botânica, que transforma a “luz clorofílica” verde do sol em energias de cura, e cujos Óleos Essenciais dão suporte à nossa “luz interior”, nossa energia e alegria, especialmente durante a estação do inverno.

 As coníferas nos relembram que, mesmo em tempos aonde a luz do sol é mínima, quando tudo parece hibernar,ainda podemos tirar forças da terra e nos abastecer com a luz do sol para continuar em direção ao crescimento.

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